
As payment stablecoins não afetam apenas o crédito bancário. Elas também colocam novos desafios à política monetária, especialmente em países emergentes com moedas frágeis e inflação elevada.
📌 O que está em jogo ● Quando famílias e empresas migram recursos da moeda local para stablecoins lastreadas em dólar, ocorre uma forma de “dolarização digital”. ● Isso reduz a base monetária doméstica, enfraquece a eficácia da política de juros e limita a capacidade dos bancos centrais de controlar liquidez e crédito. 𝐂𝐨𝐦𝐨 𝐚𝐥𝐞𝐫𝐭𝐨𝐮 𝐑𝐨𝐛𝐞𝐫𝐭𝐨 𝐂𝐚𝐦𝐩𝐨𝐬 𝐍𝐞𝐭𝐨: “Quando o investidor tira recursos dos depósitos bancários para colocá-los em ativos digitais, os bancos perdem capacidade de conceder crédito. Isso já está acontecendo em alguns países e deve ser um dos principais temas de debate entre autoridades monetárias nos próximos seis meses.”
📌 Riscos principais ● Perda de autonomia monetária: quanto maior o estoque de stablecoins em dólar, menor a efetividade de instrumentos clássicos (ex.: taxa Selic, compulsórios). ● Transmissão internacional de choques: mudanças na taxa de juros ou na liquidez dos EUA passam a impactar de forma quase imediata as economias que usam stablecoins como reserva de valor. ● Volatilidade em crises: em momentos de estresse, a corrida para stablecoins pode intensificar a saída de recursos do sistema financeiro local.
📌 Respostas possíveis ● Infraestruturas públicas tokenizadas (ex.: depósitos tokenizados em moeda local), que concorrem em eficiência com stablecoins privadas mas mantêm a função de crédito dentro do perímetro regulado. ● Coordenação internacional para definir padrões de supervisão e interoperabilidade. ● Regras claras de transparência para emissores de stablecoins, reforçando confiança no lastro e na governança.
𝐄𝐦 𝐫𝐞𝐬𝐮𝐦𝐨: stablecoins ampliam a eficiência dos pagamentos globais, mas também reduzem a eficácia da política monetária, sobretudo em economias vulneráveis. A “dolarização digital” coloca uma questão central: como preservar autonomia monetária em um mundo em que o dinheiro circula cada vez mais fora do balanço dos bancos centrais.
➡️ No próximo post, vamos encerrar a série discutindo os padrões prudenciais e os riscos sistêmicos, incluindo o debate sobre stablecoins como parte do “shadow banking”.
Autores: Roberto Panucci, Tiago Severo Gomes e Marcelo De Callis



