
Autores: Roberto Panucci, Tiago Severo Gomes e Daphne Minerbo
No Brasil, entrar em cripto via greenfield pode ser a forma mais cara de chegar atrasado. Muitos ainda tratam M&A em cripto como uma alavanca de crescimento, mas, cada vez mais, M&A passa ser uma condição de entrada.
Com a institucionalização do setor, o ativo mais valioso deixou de ser apenas tecnologia, passou a ser prontidão regulatória.
Quem adquire uma prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAV) que esteja operacional no Brasil pode adquirir, ao mesmo tempo, estrutura, governança, compliance, time, base instalada e uma posição mais favorável para atravessar a transição regulatória. Essa é justamente a lógica de “comprar em vez de construir” que começa a prevalecer em um mercado mais orientado por infraestrutura, licenças e governança.
Para players estrangeiros, isso é ainda mais relevante.
A Resolução BCB nº 520, de 10 de novembro de 2025, disciplinou a constituição e o funcionamento das PSAVs, e fixou 30 de outubro de 2026 como marco a partir do qual instituições não autorizadas não poderão prestar esses serviços no Brasil. A implementação do novo regime também passou a contar com regras operacionais e documentais próprias no âmbito do Banco Central.
Na prática, isso reforça uma vantagem objetiva para operações já estabelecidas e aptas a navegar o processo regulatório dentro da janela aplicável.
Em certos casos, comprar uma operação local não é apenas uma forma de acelerar entrada.
É uma forma de comprar tempo regulatório, capacidade operacional e posição de mercado.
Isso ajuda a explicar por que o debate sobre cripto no Brasil está deixando de ser apenas tecnológico e passando a envolver consolidação, acesso a infraestrutura e capacidade de execução institucional. Foi exatamente nessa direção que escrevemos, na LexLegal, sobre a entrada do setor em uma era mais institucional e sobre o M&A como novo campo de batalha regulatório.
A pergunta relevante já não é se o mercado vai se consolidar.
A pergunta é quem vai usar M&A para entrar no Brasil com vantagem real e quem vai decidir construir do zero enquanto o mercado fica mais regulado, mais concentrado e mais competitivo.
Publicamos na LexLegal um artigo sobre esse movimento: “Cripto entra na era institucional: o M&A vira o novo campo de batalha regulatório.”, confira no link: https://lnkd.in/ebb9FsDf



