ARTIGO · 05/03/2026

M&A no mercado cripto no Brasil

Autores: Roberto Panucci, Tiago Severo Gomes e Daphne Minerbo No Brasil, entrar em cripto via greenfield pode ser a forma mais cara de chegar atrasado.

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M&A no mercado cripto no Brasil

Autores: Roberto Panucci, Tiago Severo Gomes e Daphne Minerbo

No Brasil, entrar em cripto via greenfield pode ser a forma mais cara de chegar atrasado. Muitos ainda tratam M&A em cripto como uma alavanca de crescimento, mas, cada vez mais, M&A passa ser uma condição de entrada.

Com a institucionalização do setor, o ativo mais valioso deixou de ser apenas tecnologia, passou a ser prontidão regulatória.

Quem adquire uma prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAV) que esteja operacional no Brasil pode adquirir, ao mesmo tempo, estrutura, governança, compliance, time, base instalada e uma posição mais favorável para atravessar a transição regulatória. Essa é justamente a lógica de “comprar em vez de construir” que começa a prevalecer em um mercado mais orientado por infraestrutura, licenças e governança.

Para players estrangeiros, isso é ainda mais relevante.

A Resolução BCB nº 520, de 10 de novembro de 2025, disciplinou a constituição e o funcionamento das PSAVs, e fixou 30 de outubro de 2026 como marco a partir do qual instituições não autorizadas não poderão prestar esses serviços no Brasil. A implementação do novo regime também passou a contar com regras operacionais e documentais próprias no âmbito do Banco Central.

Na prática, isso reforça uma vantagem objetiva para operações já estabelecidas e aptas a navegar o processo regulatório dentro da janela aplicável.

Em certos casos, comprar uma operação local não é apenas uma forma de acelerar entrada.

É uma forma de comprar tempo regulatório, capacidade operacional e posição de mercado.

Isso ajuda a explicar por que o debate sobre cripto no Brasil está deixando de ser apenas tecnológico e passando a envolver consolidação, acesso a infraestrutura e capacidade de execução institucional. Foi exatamente nessa direção que escrevemos, na LexLegal, sobre a entrada do setor em uma era mais institucional e sobre o M&A como novo campo de batalha regulatório.

A pergunta relevante já não é se o mercado vai se consolidar.

A pergunta é quem vai usar M&A para entrar no Brasil com vantagem real e quem vai decidir construir do zero enquanto o mercado fica mais regulado, mais concentrado e mais competitivo.

Publicamos na LexLegal um artigo sobre esse movimento: “Cripto entra na era institucional: o M&A vira o novo campo de batalha regulatório.”, confira no link: https://lnkd.in/ebb9FsDf

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