
Roberto Panucci e Marcelo De Callis acompanharam o InsureTech Connect (ITC Vegas 2026), que reuniu de 29 de setembro a 1º de outubro, no Mandalay Bay, o que os organizadores descrevem como o maior encontro de inovação em seguros do mundo: mais de 9 mil participantes, mais de 500 palestrantes e quase uma dúzia de palcos simultâneos.
O tema desta edição, "The Horizon of Possibilities", partia de uma leitura que conversa com o nosso trabalho: clima, tecnologia, regulação e comportamento estão redesenhando o risco em tempo real. A agenda foi dominada por agentic AI na subscrição, na precificação e no sinistro. Nesta série, trazemos o que vimos de mais útil. Começamos pelo retrato geral: onde a IA já gera retorno e o que separa quem vai colher os ganhos.
Na prática:
- 1.A transformação de ponta a ponta ainda não aconteceu. No painel da Microsoft com Aon e Manulife, o diagnóstico foi direto: o que existe hoje é IA aplicada dentro de verticais, com retorno concreto, sobretudo na subscrição.
- 2.O valor está em crescer, não em cortar. O ganho relevante vem de ampliar mercado e fechar o protection gap, chegando a clientes que nenhum time comercial consegue atender em escala. Corte de despesa rende uma fração disso.
- 3.Um agente só é tão útil quanto os dados e os sistemas a que tem acesso. "Agente sem API é motosserra em sala vazia", resumiu Jim DeMarco, da Microsoft.
- 4.A estrutura vem antes do ganho. A Aon passou dois anos quebrando silos e reunindo seus dados numa base única antes de colher os resultados.
Para seguradoras, insurtechs e corretoras brasileiras, a lição é que a vantagem em IA se constrói antes, na estrutura: dados organizados, processos limpos e regras explícitas. Quem chegar com isso pronto vai subscrever melhor e crescer mais rápido.
No próximo post: construir um agente ficou fácil, fazer ele acertar não. O que a masterclass da Anthropic mostrou e por que boa parte dessa resposta é trabalho jurídico.



